A Jornada do Passo: Da Peregrinação ao Asfalto

Minha história com a corrida não nasceu da busca por performance, mas de um propósito: percorrer os 320 km do Caminho da Fé.

Em 2019, ao me unir à minha equipe, buscava apenas preparo físico para a caminhada. Mas o asfalto me revelou uma nova linguagem. Entre um passo e outro, descobri que não precisava apenas caminhar: eu podia “voar”, soltar corpo e pensamentos.

O desafio inicial transformou-se em conquistas graduais. Vieram os 5 km, depois os 10, 15 e 18 km, até alcançar as meias maratonas e, por fim, o marco das maratonas. Cada quilômetro somado nos treinos era também uma lição de resiliência.

Nesse cotidiano, percebi que a presença da equipe e do técnico é essencial. A equipe é o espaço da partilha: o peso da jornada se torna leve quando dividido. O técnico é o alicerce: fortalece, disciplina e ajuda a manter o foco quando o cansaço ameaça.

“Ninguém chega longe sozinho.”

Foi nesse ambiente de suporte que extraí aprendizados valiosos para minha profissão, consolidando a ideia de que o coletivo potencializa o indivíduo.

Para mim, correr é uma liturgia que toca a espiritualidade. Existe um ritual sagrado ao pisar na rua: é o instante de conexão absoluta entre corpo, mente e espírito. A respiração dita o mantra, o ritmo se torna oração, e a passada encontra equilíbrio com o solo, o sol e a brisa.

É um estado de presença em que a disciplina se transforma em elevação, provando que a corrida, assim como a fé, é uma jornada de dentro para fora.

Sérgio Andrade
Atleta de rua há 6 anos na FLRUNNERS

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